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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Misterioso Desejo


Complexidade.

A vida se resume nesta palavra. 

Assumimos posturas diante de certas mudanças importantes que nos tornam mais independentes e mais frios. Um novo emprego que lhe garanta um pouco de estabilidade, às vezes, pode te transformar em um adulto com contas altas a pagar e sem tempo para relaxar. Com a falta de tempo e as responsabilidades adquiridas, a mente acaba se ocupando demais com problemas e sedenta demais por distrações facéis, rápidas e prazerosas. O perigo da procura por tais tipos de distração é incontestável. Você acaba vulnerável a qualquer tipo de oferta irrecusável de diversão temporária.

É quando se deparamos com certos objetos de diversão que, por mais que não percebamos, têm coração, efeitos colaterias ou sentimentos abstratos. Tratá-lo como um objeto vazio não vai torná-lo um. Então um amante temporário, uma bebida, uma droga, um passatempo, um jogo, um acréscimo intelectual, um tempo ocioso podem se tornar problemas. E quando esses objetos começam a cobrar e ficar cada vez mais necessários, entramos em um estado de "overdose emocional" em que chegamos ao ápice, ao limite psicológico e pedimos arrego. 

Então abandonamos projetos, sonhos, carreiras, ideias, amores que pensávamos que eram importantes, mas que conseguimos abrir mão tranquilamente. O abandono alivia o sufoco da pressão, mas trás questionamentos sobre o futuro e o rumo que aquela decisão pode nos fazer tomar. E com o tempo, nossa mente começa a pedir para ser "ocupada" novamente, não se acostuma com o ócio momentâneo. Porém, a ocupação com certo tempo ocioso se torna ainda mais desperdiçado com outros e outros e mais outros objetos de distração. É a hora em que deixamos de lado o velho intelectual e entramos no comum (geralmente trabalho durante a semana e churrasquinho no final de semana). 

Para mentes acostumadas com o intelecto, com a arte, com a pesquisa racional e sentimental da alma, as ocupações se tornam grandes empencilhos para o exercício dos mesmos. O espírito se torna fraco, frio, sujo, vazio, cinza e constantemente indeciso, perdido. A rotina se torna um castigo com a função de levar a esperança, os desejos e a felicidade embora. Sugar cada milímetro de energia positiva do nosso ser. Quando estamos à beira da loucura entre decisões, ocupações, paixões, distrações, conseguimos entender a importância do tempo para ditar o nosso caminho.

O que é importante? O que é prioridade? O que te deixa mais feliz e satisfeito? O que você ama? O que você sabe? A maioria dessas respostas podem indicar sinais para o caminho certo ao qual o primeiro passo deve ser dado. Entretando a mente humana é confusa, complexa. Somos cheios de desejos, sonhos, ambições e a maioria deles são ocultas dentro de nossos corações. Como deixar aflorar? Nos instintos, nos impulsos. 

Instintivamente corra atrás daquilo que te dá prazer! Fale aquilo que te impulsionou falar! Guardar mágoas e tristezas é velar um rio de depressão que pode, a qualquer hora, transbordar. E quando pensar que não há como se deixar levar pelos instintos, grite! Grite no travesseiro, extravase, chore, cante, escreva! Temos necessidade de nos expressar, independente de sermos compreendidos ou não. Nem sempre podemos ser, ter, querer tudo o que gostaríamos, mas sempre há um plano B.
Izabella F. Costa


Durante meses estive passando pelos sufocos provocados pela insegurança, infelicidade de escolhas mal sucedidas e tempo mal administrado. Veio então o alívio da minha saída do curso de Direito que durou pouco, até eu me decidir por outro curso. Estou no desafio de conseguir encarar novamente a falta de tempo para o exercício do meu intelecto, dos meus hobbies, das minhas paixões e tenho sentido esse vazio constantemente. Gritar, chorar, desabafar, me arriscar, descascar até onde posso dos meus objetos de distração tem sido de grande ajuda, mas é hora de arquitetar um plano B. Não sou feliz como antes, não sou tão criativa como antes e as ocupações têm sugado a minha energia ao ponto de eu não sentir vontade de fazer mais nada. Quero voltar a viver e fazer tudo que amo. Quero voltar a amar e a sentir a mesma alegria de viver que outrora. A hora é essa! O momento é esse! Vou correr, fugir, tentar, errar, acertar algumas vezes. Mas preciso de coragem e motivação. Deus tem sido meu amigo companheiro nessa jornada e não me abandonou até então. E é nas mãos dele que deixei toda a minha vida, minhas decisões, meus passos, minha mente e o meu coração.

Não vou me deprimir novamente. Não vou me deixar abalar. Nem que isso me custe a desistência de muitos planos e metas. Tenho um desejo oculto dentro de mim de extravasar algo que não consigo explicar, mas que sei que com o tempo terei sabedoria para entender. 

Até lá, aguardarei em meditação com o meu próprio eu, segurando a barra, seguindo no modo automático...


Bjins na bunda!
Amanhã é segunda!


é, voltei. =P

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A longa e árdua caminhada


Passado. Tudo vira passado. Olhamos para o hoje com um olhar jovem e para o ontem com um olhar idoso. Tememos o futuro como uma criança indefesa. Tudo que deixamos para trás, arrastamos pelo resto da nossa longa caminhada, mesmo que sem querer. Não precisamos olhar, nem sentir. O passado pode ser um arranhão ou uma ferida curada, mas sempre terá sua marca eternizada na nossa vida. 

Com o tempo, percebemos que, embora carregamos conosco marcas do nosso passado, aprendemos com experiências, superamos derrotas e evoluimos nossa personalidade para um outro patamar mais maduro, mais sábio, mais forte. Todavia nem todas as marcas são capazes de serem evoluidas e superadas com o simples poder do tempo. Algumas são tão sangrentas, tortuosas que precisamos nos submeter à virtude da humildade e nos ajoelhar em busca de ajuda.

É abrir os olhos para ver que a ajuda bate à sua porta, te puxa para o outro lado e te carrega no colo para te salvar quando a situação chega ao ponto crítico. Ás vezes somos seres inertes e covardes. Para ter ajuda geralmente é preciso se mover e fazer algo para ser ajudado. E é do nosso inconciente que temos que tirar a energia capaz de deixar que sejamos puxados e carregados. 

Toda a sua vida pode mudar a partir de um primeiro passo, uma decisão, uma simples resposta. O livre árbitrio nos permite mudar uma vida inteira em um segundo. Tudo depende do que será feito ou não. E o nosso ato decidirá quem seremos dali em diante, fracos ou fortes, covardes ou corajosos, bons ou maus. 

O reconhecimento pessoal que nos nutre ao conseguir fazer uma escolha certa é inexplicavelmente grandioso e poderoso para a nossa evolução. Não basta fazer o que é certo em troca de algo. É fazer algo certo por nós mesmos. Parece pouco, mas só quem foi capaz de decidir algo importante e grandioso para a sua caminhada sabe como o peso do passado nas nossas costas fica bem mais leve e o medo do futuro parece se extingir quase que por completo. 

Não se preocupe com o medo natural da incerteza do efeito que uma decisão pode fazer no rumo da sua caminhada. Se preocupe com o caminho que você está tomando no hoje, no agora. Lembre-se sempre que cada segundo é um novo passo que você pode estar caminhando para o lado certo ou errado, mas que sempre haverá uma nova rota a ser seguida. Encare-o sem medo, pois o caminho que você toma pode ser árduo, mas suas decisões podem torná-lo muito mais tranquilo.


Izabella F. Costa

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Caminhando...


O sentido que os pensamentos assumem na minha mente surgem em instantes de passos. Muito daquilo que eu não entendia claramente, se mostrou surpreendentemente nítido e brilhante como gotas de água de chuva em uma cachoeira. A sabedoria é uma virtude muito bela para quem é capaz de conhecê-la. Ás vezes se demostra de forma simples e ao mesmo tempo dotada de tamanha completude que nos sentimos frágeis diante de tanta informação. 
Foi de forma simples, vendo os carros passarem e caminhando pelo cemitério, que descobri lacunas em minha consciência que precisavam ser preenchidas. Mas eram coisas que eu nunca havia pensado antes. Coisas que, talvez, nunca tivesse tido importância para mim, ou que eu apenas fugia sem perceber. 
Caminhando, cheguei a conclusão sobre a importância da vida. Conversando com a Vampyra pude ver tudo que fiz e tudo que teria perdido se eu não tivesse me dado uma segunda chance. Percebi o significado de uma folha desfalecida caindo do galho do uma árvore como sinal de Deus para mostrar que tudo era passageiro. As vivacidade, o perfume e as cores das flores deixadas sobre os túmulos um dia deixariam de existir. A lembrança daquele abraço carinhoso que você recebeu um dia será quase impossível de se resgatar da memória. Talvez das palavras amigas que você escutara antes, agora só restem as injúrias ditas depois. 
Viver a vida aos extremos é o que me dá mais prazer, mas simplesmente porque me faz sentir que cada instante pode ser o último. E por sentir que pode ser o último ele deve ficar na memória. Seja marcando positivamente ou não. Ser humano só aprende errando. Então ao atravessar um viaduto perigoso, ventando forte, desafiei um dos meus maiores medos, senti vertigem, tentei não olhar e, ao chegar no final, me senti campeã de uma maratona. Ser amada, receber carinho inocente, puro e sem querer nada em troca, me fez sentir uma miss mundial. Ser grata pela vida de alguém ao se deparar com a perda de outra pessoa, me fez acreditar em herois. E nada disso teria acontecido se eu não tivesse escolhido viver. 
São pequenos momentos, simples, imperceptíveis, que nos tornam a vida mais interessante. Por mais que eu gostasse de cemitérios, hoje eu achei tão cinza, vazio, triste, que quis sair de lá correndo. A busca pela vida, a vontade de viver está sendo tão dominante nas minhas atitudes que, instintivamente, eu estou correndo atrás da segurança e do perigo da prova de que estou viva.  
O meu coração bater mais rápido, a dor, o cansaço, o calor, o arrepio, o prazer, o sono... São sinais claros de que há vida em mim. Só sentirei esses sinais caminhando, vivendo, descobrindo e redescobrindo o meu caminho no tempo. E o tempo? Independente do seu fim, ele nunca para.

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